Talvez, me perdesse por aí,
Talvez, retornasse a mim,
A minha dor, iria,
A minha dor voltaria,
Não desapareceria,
Porque está escrita,
A carta que mostraria o que sinto,
Talvez alguém leria,
Talvez, eu mesma diria em voz alta,
Tudo o que está escrito,
A minha dor ouvida,
A minha dor sentida,
No fim, a verdade, seria ouvia e sentida,
Por alguém, por todos, ou quem sabe,
Apenas por mim,
O que isso importa?
Importa vivê-la e combatê-la,
Todos os dias,
Pois dessa forma,
Me perco, me encontro,
Acho que me desconheço,
Mas, sinto, a dor que é só minha,
E com prazer.
Ser amiga do Leandro é correr atrás de uma carruagem e colocar as mãos na janela, sempre correndo, como se não houvesse amanhã.
É correr descalça, sentindo a força de terra.
É ouvir Inverno de Vivaldi e ver que o menino que conheci, virou escritor, lançou livro.
Porém, para mim, ele é um menino.
O meu amigo.
Escrevi tão rápido tudo isso, do fundo do coração.
Queria ser uma carta e chegar lá na casa do Leandro.
Queria que o carteiro, refletisse Vivaldi através da sua voz, para que assim restasse demonstrada toda a minha amizade.

